Integração do transporte é agente de mudança nas cidades

Aliando tecnologia e modais, centros urbanos diminuíram tempo de deslocamento e ganharam eficiência

As cidades mais adaptadas à mudanças são justamente aquelas que têm, entre outros fatores, os seus principais meios de transporte conectados. Além de políticas preventivas contra o coronavírus, a rede de transportes em Berlim tem se mostrado resiliente à pandemia graças ao seu app que ajuda a planejar a viagem com vários modos. A cidade ficou entre as top 10 do ranking de 2020 de melhor sistema de mobilidade urbana feito pela consultoria Oliver Wyman e a Universidade de Berkeley. Enquanto isso, o transporte público no Brasil acumula uma queda, desde 2014, de 25% no número de passageiros. Com a pandemia a situação piorou: o isolamento social e o medo de contágio derrubou em 70%, em média, a movimentação nas principais capitais do país. O Banco Mundial calcula que as operadoras de transporte público na América Latina têm perdido cerca de US$ 380 milhões a US$ 400 milhões por mês. Fora as que já faliram.

No Brasil, a integração de diferentes transportes ainda é um desafio. Em São Paulo, por exemplo, mais de 60% das estações de ônibus, metrôs e trens contam com infraestrutura cicloviária próxima. Nas demais cidades do país, esse número cai para menos de 20%, segundo dados de 2019 da plataforma Mobilidados. Isso faz diferença: segundo o Ipea, 48% dos usuários de transporte público levam mais de duas horas apenas para fazer uma integração ônibus-ônibus. No Rio de Janeiro, uma pessoa média perdeu 190 horas com o trânsito de carros em 2019 — no mundo, só fica atrás de Bogotá, com 191 horas. Um sistema integrado, com espaço para carros, bicicletas e aplicativos de compartilhamento, não só ajuda a cobrir rotas, mas também diminui o tempo entre os bairros e o centro.

Com a integração, principalmente quando aliada à tecnologia, ainda é possível coletar informações mais precisas sobre o perfil de deslocamento nas cidades e, assim, planejar um sistema mais eficiente de mobilidade. E, consequentemente, reduzir custos. O Centre for Economics and Business Research/INRIX (2014) estimou que o Reino Unido, França, Alemanha e EUA, gastaram, juntos, cerca de US$ 200 bilhões por ano com o congestionamento nas cidades.

As cidades mais avançadas na questão de mobilidade vão além e integram o planejamento do transporte ao uso do solo urbano. Uma das políticas de desenvolvimento em Singapura, por exemplo, estipula que todas as estações de transporte público sejam conectadas diretamente a novos empreendimentos comerciais de porte e com, no mínimo, mais um modo de transporte. A cidade é líder do ranking de 2020. Outra possibilidade de integração que pode ajudar as cidades a conectar melhor seus moradores a seus sistemas de transporte é a dos aplicativos.

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