Demanda na pandemia faz vendas de bikes comuns e elétricas dispararem

Demanda na pandemia faz vendas de bikes comuns e elétricas dispararem

Com baixo risco de contaminação e boa relação custo benefício, a bicicleta tem sido uma alternativa de deslocamento procurada por muitos brasileiros em meio à pandemia. Na esteira dos novos hábitos de distanciamento social e da gradual retomada das atividades, as vendas alcançaram níveis históricos.

Ao longo da última década, sistemas de bicicletas públicas consolidaram seu uso entre os brasileiros e sua evolução como opção de deslocamento, para além do lazer. Ao mesmo tempo, eles ajudaram a disseminar e impulsionar o modelo de transporte compartilhado, que nos anos seguintes foi implantado por aplicativos de carros, como a 99, e de patinetes. Com isso, ficou mais fácil combinar tipos de deslocamentos e escolher o mais adequado para cada trecho ou atividade.  

Por oferecerem menor risco de contágio do que o transporte público e se colocarem como uma opção econômica, a pandemia acabou intensificando a busca pelo carro por aplicativo e também pelas bicicletas. Entre 15 de junho e 15 julho, a comercialização de bikes no País mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, com um crescimento de 118%. Quando comparado às quatro semanas anteriores (15 de maio e 15 de junho), o aumento foi de 19%.

Os dados são da Aliança Bike, a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, e comprovam uma sequência de bons resultados. Após um breve susto inicial nos primeiros meses de quarentena, quando cerca de um terço dos lojistas viu seu faturamento cair em mais de 70%, o interesse do consumidor retomou a níveis surpreendentes. Já entre maio e junho, as vendas eram 50% maiores que em 2019. 

A preferência pela bicicleta deve se manter ao longo do semestre, mas ainda não se sabe se o crescimento seguirá o mesmo ritmo no pós-pandemia. Para Daniel Guth, diretor-executivo da Aliança Bike, o momento abre uma janela para oportunidades e incentivos: “Todo o crescimento de demanda, de aumento nas vendas de bicicletas, só será completo se as cidades se prepararem para o pós-pandemia. E a infraestrutura dedicada, como as ciclovias, ciclofaixas e os bicicletários, são fundamentais neste processo”, diz.

Outras alternativa é aliviar o bolso dos brasileiros. De acordo com a Aliança Bike, os modelos que mais venderam nos últimos meses são as chamadas “bicicletas de entrada”, ideais para transporte, lazer e exercícios físicos de baixo impacto e que custam entre R$ 800 e R$ 2.000. Para Guth, os valores poderiam ser mais acessíveis com a redução das cargas tributárias, que atualmente correspondem a 72,3% do preço. 

Nas bicicletas elétricas, os impostos podem alcançar até 85% do valor final. Mais caro que as bikes tradicionais, o modelo acabou ganhando grande adesão entre as pessoas de maior renda. Em uma nova pesquisa feita em parceria com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ, números revelados pela Aliança Bike mostraram que mais de um quinto dos usuários (27%) ganham entre cinco e dez salários mínimos, seguidos por aqueles que declararam ganhar dez salários mínimos (22%).

O preço não parece impeditivo para a expansão do segmento. Enquanto 25 mil unidades foram vendidas em 2019, previsões apontam que 2020 poderá alcançar a marca dos 32 mil modelos comercializados. Para se ter uma ideia do aumento da procura, só entre janeiro e junho já foram importadas 7.427 bicicletas elétricas, número equivalente a 64% das importações feitas durante todo o ano passado.

Segundo os entrevistados da pesquisa, poder se deslocar mais rápido e com menos esforço pesou na hora de escolher a opção movida à eletricidade. Na hora da compra, a maioria dos ciclistas (61%) disse ter escolhido modelos entre R$ 3.000 e R$ 6.000, considerados medianos.

Há ainda aqueles que não quiseram adquirir a bicicleta própria e preferiram os aplicativos de aluguel para intercalar suas viagens com outros modais. Uma pesquisa realizada em setembro pela Tembici, empresa responsável por operar o projeto Bike Itaú, confirmou um aumento significativo no serviço por todo o país. No Rio de Janeiro as viagens pela plataforma cresceram 63% entre abril e agosto, número que chegou a 172% entre julho e agosto. 

Entre usuários paulistas e cariocas, 49% recorreram à bicicleta na hora de sair de casa. Além da praticidade, apontada por mais de um terço dos entrevistados, questões como segurança e a possibilidade de praticar exercício pesaram na escolha. 

A pandemia trouxe uma reflexão mais rápida para o hábito e forma como fazemos as coisas, em todos os sentidos, e isso impactou diretamente a forma como as pessoas se deslocam”, diz Tomás Martins, CEO Tembici. Para ele, as principais vantagens da bicicleta é a possibilidade de evitar aglomerações, trazer fluidez para as cidades e benefícios para o meio ambiente. “Seu uso da bicicleta é recomendado pela por órgãos de saúde, já acompanhamos essa movimentação em muitos países”, afirma.

Tamanha mudança nos hábitos dos usuários levou a empresa a anunciar planos de expansão. Em junho foi anunciado um aporte de US$ 47 milhões, que está sendo direcionado para implementação de bikes elétricas, melhorias nos dados e tecnologia.

 

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