Como a geração Z está mudando a mobilidade urbana

Nascidos entre 1995 e 2010 cresceram inseridos na tecnologia e prometem transformar o transporte nas cidades com compartilhamento e microbilidade

Cada vez mais a mobilidade tem ido de uma experiência individual para uma compartilhada. No centro dessa transição está a geração Z (nascidos entre 1995-2010). A indústria automobilística até chegou a projetar que a geração anterior, os millennials (nascidos entre 1980- 1994) levariam a queda nas vendas de carros. Mas com o tempo, mostrou que apenas adiaram esses planos até começarem a ter suas próprias famílias. Com a geração Z, no entanto, é outra história. Já nasceram inseridos na tecnologia e foram os primeiros a adotarem o compartilhamento de carona e a micromobilidade. E já tem poder para mudar a cara da mobilidade urbana: representam mais de 32% da população — maior do que a porcentagem de millennials e baby boomers (1940-1960). Nos EUA já são 40% dos consumidores.

Segundo um estudo da consultoria Allison+Partners, essa geração vem com mais consciência social e ambiental. Diferente das gerações anteriores, quase 56% desses jovens veem o carro apenas como um meio de transporte e não como algo parte de sua identidade. Até a versão mais tecnológica, como os carros autônomos aparecem, no nível de interesse, atrás de outras inovações, como realidade virtual e casas inteligentes.

Para especialistas, é essa a geração que vai ditar as inovações na mobilidade e não necessariamente a rapidez com que a tecnologia chega. Em Madrid, por exemplo, a frota de patinetes elétricos cresceu mais de cinco vezes no ano passado, chegando a mais de cinco mil — a maior do mundo. Esse crescimento foi principalmente por causa do grande interesse dos jovens por esse meio de transporte que combina um serviço sob demanda, sustentável e sem trânsito.

Algumas cidades estão mais bem preparadas para essa geração do que outras. Pelo 2019 Generation Z City Index da plataforma de pesquisa de apartamentos, Nestpick, Londres está em primeiro. O ranking avalia desde conectividade 5G e digitalização do governo até espaço para coworking e pagamentos digitais. Na categoria de mobilidade digital e compartilhada, Paris lidera com 100 pontos. Enquanto a cidade brasileira mais bem ranqueada é São Paulo, com apenas 37,17 pontos.

Essa nova cultura da geração Z é importante porque abre novas frentes para o planejamento urbano. No estudo da consultoria, quase dois terços desses consumidores estariam dispostos a aceitar um trajeto mais longo se fosse feito em um veículo autônomo compartilhado. Enquanto a experiência de deslocamento com um único motorista é geralmente percebida como ruim, prejudicial à saúde e estressante. Isso pode resultar, por exemplo, em menos estacionamentos e mais espaço para embarque desembarque em estabelecimentos comerciais. Ou até mais espaços verdes e faixas exclusivas para outros meios de transporte. 

Compartilhe!