Cidades se reinventam com a pandemia

Novas propostas urbanas e soluções tecnológicas ganham força para enfrentar os desafios impostos pela COVID-19

As cidades mudaram com a pandemia. Primeiro as ruas vazias por causa das quarentenas. E agora, com a flexibilização, surgem novas formas de usar a cidade mantendo o isolamento social. O automóvel, por exemplo, voltou a ser objeto de desejo por medo do possível contágio no transporte público. Uma pesquisa do Instituto de Estudos Avançados da USP aponta que 58% da população planeja usar carro no pós-quarentena. Ao mesmo tempo, as pessoas ainda procuram alternativas mais sustentáveis e dentro do orçamento, no qual os aplicativos de transporte, o compartilhamento de automóveis e as caronas se tornam mais atrativos. Em Salvador, por exemplo, os moradores das periferias estão utilizando mais transporte por aplicativo.

Essas mudanças já têm levantado algumas ideias para preparar uma cidade para o pós-pandemia. A proposta urbana mais conhecida a ganhar força durante a pandemia é a Cidade de 15 minutos, defendida pela prefeita de Paris ainda em janeiro, que prevê os serviços e oportunidades dentro desse tempo de deslocamento, aproximando a moradia do trabalho. Uma solução, seria, por exemplo, verticalizar diferentes serviços de lazer em áreas mais de trabalho. Outras propostas têm aparecido. A prefeitura de Londres tem considerado usar mais tecnologia digital nas ruas.

A ideia, por exemplo, é aumentar a acessibilidade de wi-fi para ajudar os trabalhadores a ficarem conectados fora de um ambiente de escritório. Ou ainda melhorar o monitoramento do tráfego e da movimentação para as pessoas evitarem horários de pico, enquanto os dados sobre a qualidade do ar ajudariam aqueles com sistemas imunológicos vulneráveis. O uso da tecnologia traz retornos para a cidade. De 1994 a 2014, cidades americanas, como Chicago e Los Angeles, economizaram US$ 4,7 bilhões em um ano com tecnologias inteligentes de transporte. Segundo um pesquisador da Universidade de Houston, o uso inteligente de sistemas de monitoramento do trânsito pode até limitar a necessidade de construir mais ruas e avenidas em um intervalo de tempo menor.

Compartilhe!