Dados são aliados do planejamento urbano

Mais do que transportar, serviços de mobilidade auxiliam na construção de políticas públicas mais inteligentes e eficientes

Serviços de compartilhamento de bicicletas, carros e patinetes não significam apenas mais agilidade na mobilidade urbana, mas também abrem oportunidades pra conhecer melhor o perfil de cada trajeto. Esse benefício vem com o compartilhamento de dados entre as empresas e os gestores públicos. É verdade que não é de hoje que dados de transporte são coletados. Mas o que antes era feito de forma quase que manual e centralizada, hoje permite não só mais rapidez na coleta, mas maximizar os benefícios de cada tipo de serviço e criar um planejamento mais personalizado, efetivo e inclusivo.

Uma das primeiras metrópoles a avançar nesse compartilhamento foi Los Angeles. Com o avanço dos e-scooters pelas suas ruas, a cidade criou um padrão para os dados de todos os tipos de novos veículos: a Mobility Data Specification (MDS). A API permite coletar todos os dados das empresas de micromobilidade, como localização em tempo real sobre as viagens feitas em cada veículo, junto com informações como se o veículo está quebrado, sem bateria ou em uso. O projeto inspirou a criação da Open Mobility Foundation. Baseada no MDS, a ideia é estender esse padrão pra além da micromobilidade pra outras formas de transporte. As vantagens são muitas: de um lado, pode ajudar as cidades a gerenciarem a demanda por cada modal. Do outro, incentiva a inovação e criação de novos serviços, como apps.

Essa troca já tem dado resultados. O Centro Cooperativo de Pesquisa para Viver com Autismo na Austrália, por exemplo, desenvolveu seu aplicativo usando dados de acessibilidade de uma agência pública para que usuários com autismo possam encontrar mais facilmente serviços e vagões de trem menos lotados para reduzir a ansiedade durante as viagens. Na China, a DiDi, dona da 99, passou a fazer parte da gestão de trânsito pelo país. Opera mais de 1500 semáforos em mais de 20 cidades e já reduziu o índice de congestionamentos em 10% a 20%. Pelo Brasil também já realizou alguns projetos com gestores locais. Em Porto Alegre, por exemplo, os dados de trânsito dos motoristas estão sendo usados pra sincronizar os semáforos.

Claro que, com o compartilhamento, vem a questão de segurança do usuário. Uma pesquisa do MIT mostrou que com apenas quatro pontos de localização e horários de um smartphone são suficientes para identificar um indivíduo. Mas o open data também significa mais oportunidade pra governos demonstrarem transparência e regular novas tecnologias e questões de privacidade. Em São Paulo, por exemplo, a regulamentação exige o compartilhamento de dados de cada viagem. Um relatório recente do Institute for Transportation and Development Policy, no entanto, indica que as empresas só repassam a quilometragem total percorrida por dia.

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